Vender em segunda mão, ainda vale a pena?
Digamos que cá em casa existe uma pessoa que detesta acumulação e está quase sempre a destralhar alguma coisa. Essa pessoa é a Margarida.
Segundo ela, se a casa estiver cheia de coisas desnecessárias e desorganizada, a mente acaba por ficar exatamente igual.
Mas de onde veio esta quase obsessão por destralhar e tentar viver de forma mais minimalista?
Curiosamente, os pais da Margarida são bastante acumuladores. Guardam tudo, porque “um dia pode dar jeito”. É aquele pensamento antigo que muitos de nós conhecemos bem. Provavelmente também tens alguém na família assim.
Quando ainda vivia com os pais, houve uma fase em que começou a destralhar a sério. Aproveitava quando eles não estavam em casa e colocava no lixo coisas que eram claramente desnecessárias.
Sempre que os pais perguntavam o que tinha ido para o lixo, a resposta era simples. “Se não conseguem descobrir o que foi para o lixo, é porque afinal não fazia falta”. Spoiler, nunca deram por falta de nada. E isso diz muito.
Mais tarde, aos 17 anos, quando foi viver sozinha para a cidade para começar a trabalhar, essa mentalidade ficou ainda mais forte. Começou a comprar de forma mais consciente e a vender tudo aquilo que já não precisava ou simplesmente já não usava. Com o tempo, nem as coisas do João escaparam.
Claro que, pelo caminho, ouviu muitas vezes comentários como: “Eu tinha vergonha de vender coisas em segunda mão”.
Mas como acontece em quase tudo na vida, vamos ser sempre criticados por alguém. Por isso, mais vale fazer aquilo que faz sentido para nós.
O que vendemos
Cá em casa vendemos um pouco de tudo.
Desde acessórios, roupa, eletrodomésticos, decoração, basicamente tudo aquilo que já não usamos, ou que deixou de fazer sentido ter.
Os gostos vão mudando. E às vezes também compramos coisas que, passado algum tempo, percebemos que afinal não eram assim tão necessárias.
Por isso, temos uma regra simples.
Se algo não foi usado durante um ano, e está em bom estado, muito provavelmente não faz falta. Nesse caso, o destino é claro, vender.
Onde vendemos
Normalmente colocamos o mesmo artigo à venda em várias plataformas, sempre que isso é permitido.
As principais são:
- Vinted
- OLX
- Grupos de Facebook
- Facebook Marketplace
Cada uma funciona de forma diferente, por isso também exige cuidados diferentes.
Vinted
A Vinted tem-se tornado um pouco uma “roleta”. Tanto nas compras como nas vendas.
Infelizmente já existem muitos relatos de situações menos positivas.
Por exemplo, vendedores que enviaram artigos em bom estado e o comprador sinalizou defeito. A plataforma aceitou devolução, mas o artigo nunca voltou ao vendedor. Resultado, perderam o produto e o dinheiro.
Também há relatos do oposto. Pessoas comprarem artigos descritos como estando em ótimo estado e receberem algo danificado.
Ainda assim continuamos a usar a plataforma, mas com alguns cuidados extra.
Cuidados que temos
Vendas
Ao colocar um artigo à venda na Vinted, e quando este é vendido, temos alguns cuidados simples.
- Analisamos sempre o perfil da outra pessoa
- Verificamos as avaliações anteriores
- Só avançamos quando sentimos confiança
- Colocamos todas as informações ao detalhe, na descrição
- Tiramos fotografias claras e detalhadas, mostrando bem o estado real do artigo.
- Temos sempre muito cuidado com o embalamento, protegendo bem os artigos
- Filmamos todo o processo de embalamento, mostrando o artigo antes do envio
Compras
Quando fazemos compras nesta aplicação, seguimos também grande parte destes cuidados.
No caso da roupa para o João ou para a Margarida, tentamos primeiro experimentar a peça em loja, para garantir o tamanho correto e perceber como assenta, antes de a procurar em segunda mão.
Relativamente à roupa para o Lourenço, optamos geralmente por comprar tamanhos acima, uma vez que os tamanhos podem variar consoante as marcas.
Cuidados com OLX, Marketplace e grupos de Facebook
Nestes canais também existem cuidados importantes.
Aqui existem dois tipos de venda:
- Vendas presenciais
- Envios por correio
Vendas presenciais
Quando não conhecemos o comprador preferimos fazer a entrega em espaços públicos, desde que o artigo não seja muito pesado.
Se for algo grande e pesado e a pessoa tiver de vir buscar a nossa casa, normalmente pedimos aos pais para estarem presentes. Além de ajudarem a carregar, também transmite mais segurança.
Outra regra simples:
- Retiramos da vista objetos de valor, como carteiras ou telemóveis
- O artigo só é entregue depois do pagamento
Encomendas enviadas
Quando enviamos por correio também temos alguns cuidados.
Só enviamos depois do pagamento estar confirmado, mas como já se sabe, existem muitas burlas associadas a pagamentos online.
Por isso é essencial perceber bem como funciona cada método.
Normalmente aceitamos:
- MBWay
- Transferência bancária
Em ambos os métodos de pagamento é importante lembrar uma coisa simples.
O comprador apenas necessita do número de telemóvel, ou do número de conta para enviar o dinheiro.
Não precisamos de introduzir códigos, aceitar links ou fazer qualquer outro processo estranho.
Sempre que alguém pede isso, normalmente é sinal de burla.
O grupo de vendas da nossa vila
Curiosamente, o local onde fizemos mais vendas, foi no grupo de Facebook da nossa vila.
Acaba por ser muito mais prático. As pessoas podem ver os artigos pessoalmente, não existem portes de envio e há mais confiança.
Muitas vezes, quando conhecemos bem quem está a comprar, até somos flexíveis.
Já houve casos em que deixámos pagar de forma faseada, e outros em que a pessoa levou o artigo para experimentar e pagou depois.
E entre tantas vendas que já fizemos, só houve uma situação que quase correu mal.
Venda que quase correu mal
Foi uma antiga colega da Margarida, que até estava a viver na aldeia onde ela cresceu. A Margarida deixou o artigo à porta de casa dessa pessoa. A resposta foi que adorou e que pagava no final do mês.
Chegou o final do mês e surgiram contratempos. Pagava na semana seguinte. Depois na outra semana. E assim foram passando meses. Até que a Margarida teve uma ideia.
Ela cresceu naquela aldeia e é conhecida por toda a gente. A outra pessoa estava lá há apenas 1 ano.
Então enviou uma mensagem tranquila a dizer:
“Já percebi que não tens intenções de pagar. Vou avisar outras pessoas para que não cometam o mesmo erro que eu.”
Numa aldeia pequena bastava contar aos pais e a história espalhava-se num instante.
Minutos depois da mensagem… o pagamento apareceu.
Quanto gastamos para enviar as encomendas
No nosso caso, os portes de envio são sempre a cargo do comprador, por isso só temos de comprar fita cola.
Caixas de cartão e envelopes vamos guardando à medida que recebemos encomendas.
Com o tempo acabámos por criar um pequeno stock de caixas de vários tamanhos, o que facilita bastante quando precisamos de preparar um envio.
O único cuidado que temos é tapar sempre as moradas e os QR codes antigos, para evitar qualquer confusão durante o transporte.
Desta forma conseguimos reutilizar embalagens e reduzir praticamente a zero os custos com materiais de envio. É bom para o bolso e para o meio ambiente.
Valores em vendas em 2025
Em 2025 estes foram os valores que conseguimos, com a venda de artigos em segunda mão:
- Facebook – 1.156,38€
- Vinted – 303,10€
Total – 1.459,48€
À primeira vista pode parecer um valor elevado. No entanto, há uma razão para isso.
Como vendemos o nosso apartamento, acabámos por ter vários artigos que decidimos não levar para a futura casa. Em vez de guardar ou transportar coisas que já não faziam sentido, optámos por vendê-las.
Além de gerar algum dinheiro extra, também facilitou bastante todo o processo de mudança.
Impostos sobre vendas em segunda mão
Nos últimos anos surgiram novas regras na União Europeia que afetam as vendas feitas através de plataformas digitais como Vinted, OLX ou Facebook Marketplace.
Estas plataformas passaram a ter a obrigação de comunicar dados à Autoridade Tributária quando um utilizador ultrapassa determinados limites de vendas num ano.
Esses limites são normalmente considerados quando acontece uma destas situações:
- Mais de 30 vendas no mesmo ano
- Mais de 2.000€ em vendas totais
Quando estes valores são ultrapassados, a plataforma pode comunicar a informação às Finanças. No entanto, isso não significa automaticamente que será necessário pagar imposto. As autoridades analisam se se se trata de venda ocasional, de objetos pessoais, ou de uma atividade com caráter comercial.
De forma geral, quem vende apenas alguns bens usados, como roupa, livros ou eletrodomésticos que já não utiliza, não tem de declarar essas vendas no IRS, desde que não exista atividade regular com intenção de lucro.
Mesmo assim, é aconselhável manter algum registo das vendas realizadas. No nosso caso, mantemos uma tabela com todas as vendas ao longo do ano. Assim conseguimos acompanhar os valores e ter um registo organizado caso seja necessário comprovar essas vendas.
Conclusão
Só quando começámos a anotar todas as vendas numa tabela, é que tivemos verdadeira noção do impacto. Apesar de existirem algumas vendas de valores mais elevados, a maioria são pequenas vendas, muitas delas abaixo dos 5€.
Aquilo que parecia pouco aqui e ali, afinal acumulava um valor bastante relevante ao longo do ano.
Foi por isso que decidimos partilhar convosco as nossas vendas de 2025.
Porque às vezes aquilo que está parado em casa, pode ser exatamente aquilo que ajuda a criar um pequeno extra, no final do ano.
E ao mesmo tempo ajuda-nos a viver com menos coisas, menos desorganização e uma casa mais simples.
E tu?
Também fazes vendas online? Que plataformas usas?
Partilha a tua experiência nos comentários! 🙌
Obrigado por estares desse lado e fazeres parte desta jornada ❤️
Disclaimer: O conteúdo deste blog reflete unicamente o nosso percurso e experiência pessoal na jornada FIRE. Não constitui aconselhamento financeiro ou legal.




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