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Como começámos o nosso fundo de emergência

27 de Maio, 2026/2 Comentários/em Família

Depois de casarmos, começou a surgir o tema filhos. E foi precisamente nessa fase que surgiu uma preocupação nova, a nossa estabilidade financeira.

Até então, apesar de sermos bastante poupados, nunca tínhamos pensado muito no assunto. Mas quando começas a imaginar uma família, tudo muda. Começámos a consumir algum conteúdo sobre organização financeira e foi aí que nos cruzámos com o conceito de fundo de emergência.

Falámos entre nós e fez-nos todo o sentido. Afinal, nunca sabemos quando algo pode acontecer.

 

O que é, afinal, um fundo de emergência?

Um fundo de emergência é, de forma simples, dinheiro que tens guardado e que podes usar a qualquer momento, caso aconteça algo inesperado.

E quando dizemos inesperado, não estamos a falar de trocar de telemóvel ou aproveitar uma promoção. Estamos a falar de situações como:

  • Uma urgência médica ou necessidade de recorrer ao privado
  • Perda de emprego, redução de rendimento ou não pagamento
  • Uma avaria no carro quando precisas dele para trabalhar
  • Despesas imprevistas que não podem esperar

No fundo, é um mealheiro financeiro que te dá tranquilidade e evita que tenhas de recorrer a crédito.

 

Mas será que há algo de errado em usar cartões de crédito?

A verdade é que não. Os cartões de crédito não são maus por si só e até podem trazer vantagens, como o cashback, que te permite recuperar parte do dinheiro que gastas.

No entanto, há um ponto essencial a ter em conta.

Nunca utilizar cartões de crédito sem pagamento total mensal, porque pagar juros anula qualquer benefício do cashback.

Temos um artigo dedicado ao cashback, clica aqui para saber mais.

 

Quanto dinheiro devemos ter?

Não existe uma resposta certa, porque depende sempre da realidade pessoal ou de cada família.

Mas, de forma geral, fala-se em ter entre 3 a 12 meses das despesas essenciais.

E aqui é importante perceber o que são despesas essenciais:

  • Habitação, renda ou crédito
  • Alimentação
  • Transportes, combustível
  • Contas fixas como água, luz e internet

Vamos a contas:

No nosso caso, todo o dinheiro que entra e sai mensalmente é partilhado. Sabemos que muitos casais optam por gerir as finanças de forma diferente, como poderás ler neste artigo, mas este é o modelo que melhor funciona para nós.

Somos dois adultos, um bebé e uma criança, e os nossos gastos essenciais rondam os 1.000€ por mês.

Se fizermos as contas:
3 meses correspondem a 3000€
6 meses correspondem a 6000€

No caso de famílias com filhos, este cálculo torna-se mais desafiante.

As despesas mudam com frequência, existem fases de crescimento, imprevistos e nem sempre é fácil antecipar tudo.

Foi precisamente por isso que decidimos criar uma calculadora de fundo de emergência.

Além de mostrar quantos meses consegues viver sem rendimento, ajuda também a perceber quanto ainda falta para atingires um nível mais confortável, tendo em conta a tua realidade.

Acede gratuitamente à calculadora de fundo de emergência aqui.

 

Onde estamos a guardar o nosso fundo de emergência?

Decidimos não colocar tudo no mesmo sítio.

Preferimos dividir o fundo de emergência por várias opções, sobretudo por uma questão de flexibilidade e liquidez.

Ao longo do tempo fomos percebendo que diferentes plataformas acabam por nos beneficiar de maneiras diferentes. Algumas oferecem mais rapidez no acesso ao dinheiro e outras melhor rentabilidade sobre o saldo parado.

Não significa que exista uma solução perfeita. É simplesmente aquilo que, neste momento, faz mais sentido para a nossa realidade.

1. Certificados de Aforro

Os Certificados de Aforro são um produto de poupança do Estado Português, onde emprestamos dinheiro ao Estado e recebemos juros em troca. São considerados uma das opções mais seguras para guardar dinheiro em Portugal.

Na altura em que fizemos os nossos Certificados de Aforro, a série disponível era a Série E. Apesar de atualmente já não estar disponível, podemos manter o dinheiro aplicado com as mesmas condições durante 10 anos a contar da data de adesão.

Neste momento, o dinheiro está a render 3,638% ao ano, com juros pagos de 3 em 3 meses, o que permite beneficiar do efeito de juros compostos ao longo do tempo.

O que valorizamos aqui:
• Capital protegido
• Ligação ao Estado Português
• Rendimento estável ao longo do tempo

O ponto menos positivo é que não dá para levantar o dinheiro de forma imediata, existe um período mínimo de permanência e algum atraso no resgate, mas funciona muito bem como base do fundo de emergência.

No caso dos Certificados de Aforro, os juros são tributados automaticamente na fonte, não sendo necessário declarar no IRS.

 

2. Revolut

O Revolut é um banco digital, que permite guardar dinheiro, investir, fazer pagamentos e gerir finanças de forma simples através da sua aplicação.

Criámos conta no Revolut por causa de uma viagem a Londres em 2023, mas acabámos por descobrir outras vantagens.

Atualmente, temos lá dinheiro a render 2,5% ao ano, com juros pagos diariamente. Esta taxa resulta de uma campanha temporária, disponível para quem aderiu até 20 de março de 2026, sendo válida até 20 de julho de 2026.

Quando as regalias desta campanha terminarem vamos transferir esse valor para a Trade Republic ou para outra opção que, na altura, faça mais sentido para nós.

O que gostamos:
• Proteção bancária até 100.000€ por titular
• Dinheiro disponível a qualquer momento
• Juros pagos diariamente
• Simplicidade, tudo tratado automaticamente
• Plataforma simples de usar

Para nós funciona sobretudo como uma “reserva imediata”, para situações em que precisamos de acesso rápido ao dinheiro.

No Revolut, os juros são tributados automaticamente, ou seja, não é necessário declarar no IRS.

Juros na aplicação Revolut, dia 20 maio 2026

 

3. Trade Republic

A Trade Republic é um banco digital alemão e plataforma de investimentos, atualmente utilizada por milhões de pessoas na Europa, que permite guardar dinheiro, investir, fazer pagamentos e rentabilizar o saldo não investido de forma simples, através da sua aplicação.

Neste momento, é a plataforma onde temos mais capital destinado ao nosso fundo de emergência.

Atualmente, a Trade Republic oferece 3% TANB sobre o saldo disponível, até um máximo de 50.000€ por conta.

Os juros são pagos mensalmente e o dinheiro continua disponível a qualquer momento, o que para nós acaba por ser um dos pontos mais importantes num fundo de emergência.

O que valorizamos:
• Proteção bancária até 100.000€ por titular
• Dinheiro disponível a qualquer momento
• Juros sobre saldo parado
• Simplicidade de utilização

Por ser uma entidade estrangeira, os juros têm de ser declarados no IRS em Portugal, no Anexo J, ao contrário de produtos nacionais onde isso pode ser automático.

Como recebemos muitas dúvidas sobre esta plataforma, acabámos também por criar um artigo dedicado apenas à Trade Republic, onde explicamos detalhadamente como funcionam os juros, o cartão, o saveback e a forma como estamos a utilizá-la no nosso dia a dia.

👉 Clica aqui para leres o artigo completo sobre a Trade Republic

Juros na aplicação Trade Republic, dia 20 maio 2026

 

Por onde começar?

Se estás a começar, o mais importante é mesmo dar o primeiro passo.

Aquilo que fizemos foi:

  1. Anotar todos os ganhos e despesas
  2. Perceber quanto gastamos no essencial
  3. Definir um valor mensal para poupar

Depois disso, escolhemos onde nos sentíamos mais confortáveis para guardar o dinheiro.

Pode ser um só sítio ou vários. O importante é que seja acessível e, se possível, que vá rendendo alguma coisa.

 

Paga-te a ti primeiro

Sabemos que poupar atualmente não é fácil. Tudo está mais caro e nem sempre sobra dinheiro no final do mês.

O que podes fazer é, definir um valor e todos os meses, assim que recebes o ordenado, esse dinheiro é logo colocado de lado. Como se nunca tivesse existido.

Este método, muitas vezes chamado “paga-te a ti primeiro”, pode até ser automatizado para te facilitar a vida.

Pode ser 10€, 20€ ou 50€. O mais importante é criar o hábito.

Com o tempo, podes ir ajustando e aumentando esse valor.

 

Conclusão

Ter um fundo de emergência, acaba por dar bastante tranquilidade.

É saber que, se algo acontecer, não precisamos de entrar em pânico nem recorrer a crédito.

E uma coisa importante, este fundo não é estático. Deve ser revisto ao longo do tempo.

As despesas aumentam, os filhos crescem, surgem novas necessidades essenciais, como educação, tudo isso faz parte da vida.

Ter esta base ajuda-nos a lidar com tudo isso com muito mais calma.

Depois de termos esta base construída, começámos a olhar para outras formas de fazer o dinheiro crescer. Mas isso já foi um passo seguinte.

 

E tu?
Já tens um fundo de emergência?

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Disclaimer: O conteúdo deste blog reflete unicamente o nosso percurso e experiência pessoal na jornada FIRE. Não constitui aconselhamento financeiro ou legal.

Os links presentes neste artigo servem apenas para referência informativa. Não contêm qualquer afiliação.

 

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2 comentarios
  1. Ricardo Silva
    Ricardo Silva diz:
    27 de Maio, 2026 às 14:01

    Olá,
    Antes de mais, quero dar os parabéns à vossa iniciativa de partilha da vossa jornada financeira. Gosto muito de ler/ouvir casos de outras pessoas que estejam no mesmo caminho que nós.
    O nosso fundo, consideramos como despesas mensais um valor mais alto que as despesas essenciais, a volta de 1200€, e um período de 12 meses, apesar de termos empregos estáveis e contratos sem termo. Para já temos o fundo numa conta a ordem porque estavam a render 2,5% e ainda estamos com receio da revolut e trade republic.
    No entanto, nasceu a nossa primeira filha há 15 meses atrás e para já, uma vez que não temos grandes despesas a nível de educação com ela, o infantário até aos 3 anos é gratuito, achamos melhor não acrescentar mais valor ao fundo.
    Que acham?
    Cumprimentos

    Responder
    • afamiliafire@gmail.com
      afamiliafire@gmail.com diz:
      27 de Maio, 2026 às 16:50

      Olá Ricardo, muito obrigado pelas tuas palavras e parabéns também pelo percurso que já fizeram. 😊

      Sinceramente, parece-nos que estão numa posição muito equilibrada. Ter um fundo desses, com despesas controladas e empregos estáveis, já dá uma tranquilidade enorme, ainda para mais com uma filha pequena.

      Nós também percebemos perfeitamente essa sensação de “e se acontecer alguma coisa?”, principalmente depois de sermos pais. 😅

      Mas honestamente, não nos parece que tenham grande necessidade de continuar a aumentar o fundo nesta fase. Até porque, como dizes, ainda estão numa altura em que as despesas dela são mais leves e isso ajuda bastante.

      Até podem, se vos fizer sentido, continuar a colocar de parte um x por mês, mas com o objetivo de “fundo de oportunidade”. Por exemplo, se algum investimento em que acreditam muito cair bastante, terem essa liquidez pode permitir reforçar numa boa altura, sem mexer na vossa segurança.

      Mas no final, o mais importante é aquilo que vos deixa dormir descansados. E pelo que descreves, parecem estar a fazer as coisas com muita cabeça. 😊

      Responder

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