A nossa aventura na construção de casa, como tudo começou
Confessamos que, quando decidimos comprar o apartamento, a nossa ideia era viver lá para sempre. Por isso, fizemo-lo totalmente ao nosso gosto. Investimos em móveis por medida, ar condicionado, radiadores, tetos falsos e vários outros detalhes que tornaram aquele espaço mais confortável e verdadeiramente nosso.
Mas tudo mudou com o nascimento do Lourenço.
À medida que o Lourenço crescia, apercebemo-nos de que nos faltava algo importante. Não tínhamos um espaço exterior onde ele pudesse brincar.
A varanda, por se situar num rés do chão, também não nos proporcionava a privacidade que desejávamos.
Foi então que o João disse uma frase que deixou a Margarida a pensar:
“Preferes atingir o FIRE daqui a cinco anos e continuarmos a viver aqui, ou alcançá-lo daqui a dez anos, mas construirmos a casa com que sempre sonhámos?”
E acrescentou:
“De que nos serve ter muito dinheiro se não o utilizarmos para criar um lugar onde nos sintamos verdadeiramente em casa, feito à nossa medida e para ser vivido todos os dias?”
Quando falou nisso, referia-se sobretudo à possibilidade de termos um espaço exterior, com jardim, churrasqueira e, quem sabe, até uma piscina, onde pudéssemos desfrutar de momentos em família.
Essa conversa mudou completamente a nossa perspetiva e o nosso rumo.
Continuamos focados em atingir a independência financeira, mas percebemos que também queremos desfrutar do caminho até lá.
Foi assim que decidimos embarcar nesta aventura e começámos a visitar casas, terrenos e a explorar a possibilidade de construir a nossa própria casa.
À procura da casa certa
Durante algum tempo visitámos várias casas, mas rapidamente percebemos que encontrar aquilo que procurávamos não seria fácil.
Ou eram demasiado caras, ou eram muito maiores do que aquilo de que realmente precisávamos. E, na maioria dos casos, eram casas antigas que necessitavam de obras.
Isso significava um investimento ainda maior, mais tempo, mais decisões e, muito provavelmente, mais dores de cabeça.
Foi então que surgiu uma pergunta que acabou por mudar tudo:
“Porque não construir a nossa própria casa?”
Começámos a fazer contas e percebemos que, pelo valor que estavam a pedir por muitas daquelas casas antigas, talvez conseguíssemos construir uma casa nova. Seria provavelmente mais pequena, mas seria pensada à nossa medida, com a distribuição, os materiais e os pormenores que realmente valorizamos.
Em vez de pagarmos por uma casa que teríamos de adaptar, porque não começar do zero e criar exatamente aquilo que imaginávamos?
Dezembro de 2024, à procura do empreiteiro certo
Depois de decidirmos que queríamos construir, começou uma das fases mais importantes de todo o processo: encontrar o empreiteiro certo que já tivesse o terreno.
Pedimos vários orçamentos, procurámos perceber que casas cada um já tinha construído, visitámos obras quase concluídas, analisámos projetos e tentámos recolher o máximo de informação possível.
No total, falámos com quatro empreiteiros.
Pode parecer pouco, mas vivemos numa zona pequena, onde não existem assim tantos construtores com boa reputação.
É provável que te estejas a perguntar:
“Porque não compravam um terreno e contratavam um empreiteiro de outra zona?”
A resposta é simples.
Em primeiro lugar, porque os terrenos onde queríamos construir estavam a ser vendidos por cerca de 60 mil euros. Honestamente, às vezes parecia que tinham ouro enterrado.
Em segundo lugar, porque conhecíamos cada vez mais histórias de pessoas que tinham sido enganadas por empreiteiros. Tratando-se de um investimento desta dimensão, queríamos trabalhar com alguém da zona.
Num meio pequeno, a reputação conta muito e rapidamente se sabe quem trabalha bem, quem cumpre o que promete e quem merece confiança.
O primeiro empreiteiro era, sem dúvida, aquele em quem mais confiávamos. Infelizmente, só aceitava iniciar a obra se o cliente já tivesse terreno e projeto aprovados. Como ainda não tínhamos nenhum dos dois, essa hipótese acabou por ficar de lado.
O segundo também nos agradava bastante. No entanto, na altura apenas tinha disponíveis moradias de dois pisos e em localizações onde não pretendíamos viver.
Como o nosso objetivo era construir uma moradia térrea na zona onde idealizámos viver, acabámos também por excluir essa opção.
Restavam o terceiro e o quarto empreiteiro.
Visitámos casas construídas por ambos, analisámos os materiais, os acabamentos e conversámos longamente sobre a forma como trabalhavam.
Um deles até tinha um projeto já aprovado e prestes a iniciar a construção. A localização era excelente, mas houve um detalhe que nos deixou completamente surpreendidos. A casa praticamente só tinha janelas na fachada principal, ou seja, dois quartos não tinham luz natural direta. Ainda hoje não conseguimos perceber como aquele projeto foi aprovado.
No final, a decisão acabou por ser mais simples do que imaginávamos.
Escolhemos o outro empreiteiro.
Gostámos muito da qualidade das casas que já tinha construído, da forma transparente como nos explicou todas as etapas do processo e da disponibilidade para esclarecer todas as nossas dúvidas.
Como se isso não bastasse, tinha um terreno exatamente na zona onde queríamos construir.
Parecia que, finalmente, tudo estava a começar a fazer sentido.
O orçamento
Um dos pontos mais importantes era perceber quanto custaria construir uma casa que fosse ao encontro daquilo que idealizávamos.
Será que era possível concretizar tudo o que tínhamos em mente? A resposta que ouvimos foi uma que nunca mais esquecemos: “Havendo dinheiro, tudo é possível, é tudo uma questão de números.”
Confessamos que esta frase não nos agradou. Sabíamos que era verdade, mas também sabíamos que tínhamos de manter os pés bem assentes na terra. Existe uma grande diferença entre a casa dos nossos sonhos e aquilo que estamos realmente dispostos, e conseguimos, pagar.
Depois de uma longa reunião, definimos um orçamento máximo de 250 mil euros, valor que já incluía a compra do terreno, que pertencia ao empreiteiro. A partir desse momento, todas as decisões passaram a ser tomadas com esse limite em mente.
O maior obstáculo: o dinheiro
Havia, no entanto, um grande problema.
O empreiteiro não aceitava o modelo tradicional de financiamento, em que o pagamento da habitação é feito apenas após a conclusão da obra.
Neste caso, os pagamentos teriam de ser feitos à medida que a construção fosse avançando.
Foi então que percebemos que teríamos de vender o apartamento onde vivíamos e utilizar o valor da venda para financiar a compra do terreno e dar início à construção da nossa moradia. Até a obra estar concluída, decidimos arrendar temporariamente um apartamento.
Confessamos que foi um pouco assustadora esta decisão, mas era a única forma de conseguirmos avançar.
Março de 2025, colocar o apartamento à venda
Chegou a altura de colocar o apartamento à venda.
O primeiro passo foi fotografar todas as divisões da casa. Depois, perceber onde podíamos anunciar gratuitamente. Acabámos por optar pelo Idealista.
Faltava a parte mais difícil: definir o preço.
Era claro para nós que não íamos pedir o mesmo valor pelo qual o tínhamos comprado. Tinham passado vários anos, o mercado imobiliário tinha valorizado e, além disso, tínhamos investido bastante no apartamento.
Ao longo dos anos instalámos ar condicionado, radiadores, tetos falsos, móveis por medida e fizemos várias melhorias que aumentaram o conforto e, naturalmente, o valor do imóvel.
Começámos então por analisar os apartamentos que estavam à venda na nossa zona.
Como o nosso era mais recente, melhor equipado e muito bem localizado, achámos que fazia sentido pedir um valor acima da média.
Mas quanto?
O João dizia:
“Se o conseguirmos vender por 130 mil euros, já fico muito satisfeito.”
A Margarida tinha outra opinião:
“Se é para pedir, então vamos pedir um valor bem mais alto. Sempre temos margem para negociar e, se não aparecer ninguém, daqui a alguns meses baixamos o valor.”
Como sabíamos que todo o processo burocrático da construção ainda iria demorar algum tempo, não tínhamos urgência em vender imediatamente.
Acabámos por colocar o apartamento à venda por 160 mil euros, incluindo todo o recheio.
Apesar de estarmos confiantes de que a venda seria relativamente rápida, a realidade foi bastante diferente.
Na altura, existiam muitos apartamentos à venda na nossa zona e poucos compradores.
Passou cerca de um mês sem recebermos um único contacto e, confessamos, começámos a ficar preocupados.
Mas no mês seguinte, num espaço de apenas duas semanas surgiram três interessados, e acabámos por vender o apartamento por 147.500 euros, sem o recheio.
O valor superou as nossas expectativas.
Quando fizemos as contas, percebemos que, em apenas cinco anos, o apartamento nos tinha proporcionado cerca de 50 mil euros de lucro líquido.
E quando dizemos lucro líquido, estamos a descontar todas as despesas relacionadas com o imóvel, como:
- Juros do crédito habitação.
- Seguros.
- Condomínio.
- Escritura.
- Pequenas obras e melhorias que realizámos ao longo dos anos.
Olhando para trás, é difícil não concluir que acabou por ser um excelente investimento.
Foi precisamente esse lucro que nos ajudou a dar o passo seguinte e avançar com o sonho de construir a nossa própria casa.
Maio e junho de 2025, a venda do apartamento
Em maio de 2025 demos mais um passo importante.
Assinámos o Contrato Promessa de Compra e Venda (CPCV) com os futuros compradores do apartamento e recebemos o respetivo sinal de 15.000 euros.
A partir desse momento, já não havia volta a dar.
Se desistíssemos da venda, teríamos de devolver o sinal em dobro, algo que nunca esteve em cima da mesa.
Ao mesmo tempo, surgiu outra preocupação: onde iríamos viver até a nossa casa ficar concluída?
Felizmente, um amigo nosso, que está emigrado, aceitou arrendar-nos o apartamento dele.
Havia apenas uma condição: não podíamos utilizar o recheio da casa.
Isso significava que teríamos de guardar todos os móveis e restantes bens num dos quartos.
Na prática, um T3 passou a funcionar como um T2.
Nem tudo coube nesse quarto. Um dos móveis da sala e o sofá ficaram na própria sala, encostados a um canto, tapados e sem qualquer utilização.
Apesar dessas limitações, o acordo acabou por ser bastante vantajoso.
Como estávamos, na prática, a utilizar apenas um T2, acordámos uma renda de 400 euros por mês, já com água e eletricidade incluídas.
Início das mudanças
Como os compradores adquiriram o apartamento sem o recheio e nós não tínhamos onde guardar todos os nossos móveis e objetos, aproveitámos para vender muitas das coisas que já não faziam sentido manter.
Foi também uma excelente oportunidade para destralhar.
Em junho de 2025 realizámos finalmente a escritura e, desde então, passámos a viver neste apartamento arrendado.
É verdade que o espaço é reduzido e com o nascimento do Lucas tornou-se ainda mais pequeno.
Mas, curiosamente, esta situação também acabou por ter um lado positivo.
Como temos pouco espaço, evitamos fazer compras. Além disso, vamos vendendo tudo aquilo que já não utilizamos.
Sem darmos por isso, acabámos por adotar um estilo de vida muito mais minimalista.
Hoje temos muito menos objetos, a casa é muito mais fácil de limpar e, para sermos sinceros, praticamente não temos decoração. A não ser que contem os brinquedos dos miúdos. 😅
Claro que ter um móvel e um sofá tapados, a ocupar parte da sala, não é o cenário ideal. Nem do ponto de vista estético, nem em termos de espaço.
Mas sabemos que é apenas uma fase.
Se tudo correr como esperamos, daqui a dois anos estaremos finalmente na nossa casinha.
Conclusão
Todo este processo tem sido um verdadeiro misto de emoções. Por um lado, estamos felizes por ver tudo a avançar e por estarmos cada vez mais próximos de concretizar um sonho. Por outro, há momentos em que olhamos para as notícias, para a guerra, para o aumento constante do preço dos materiais e perguntamo-nos se tomámos a decisão certa.
Por vezes pensamos que, se tivéssemos permanecido no apartamento, poderíamos estar a aproveitar as quedas dos mercados para investir ainda mais. Ao mesmo tempo, lembramo-nos de que, se tudo correr como previsto, iremos beneficiar da aplicação do IVA a 6% na construção, o que representa uma ajuda significativa.
No final, o que nos deixa mais tranquilos é saber que a casa também é um investimento. É um ativo que, a longo prazo, tende a valorizar e que, se um dia decidirmos vender, poderá gerar lucro. Mas, acima de tudo, será a nossa casa. Um projeto pensado ao detalhe, construído à nossa medida e que representa muito mais do que um simples investimento financeiro.
Sabemos que ainda teremos muitas dores de cabeça pela frente, mas também sabemos que este é um desafio que abraçámos de livre vontade. E, para quem nos acompanha há algum tempo, já deve ter percebido que gostamos de um bom desafio.
Agora segue-se o próximo passo: a compra do terreno. E, depois disso, aquilo que mais esperámos durante todo este processo, o início da construção da nossa casa.
No próximo artigo continuamos esta história e partilhamos convosco mais uma etapa desta aventura, com tudo o que fomos aprendendo pelo caminho.
Fiquem desse lado para não perderem os próximos capítulos!
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Adoramos trocar ideias com quem está a fazer este caminho connosco 🔥
Disclaimer: O conteúdo deste blog reflete unicamente o nosso percurso e experiência pessoal na jornada FIRE. Não constitui aconselhamento financeiro ou legal.




Muitos parabéns! Pessoalmente talvez tivesse preferência por ficar no apartamento e acelerar o FIRE! Mas todos os pontos são válidos. Não conseguiam manter apartamento e fazer credito para aquisição e Obras? Corra tudo bem!
Bons Investimentos Com Valor!
Obrigado! 😊 A casa não deixa de ser um investimento. Se quisermos vendê la depois de concluída, acreditamos que, passado algum tempo, poderíamos conseguir uma valorização bastante interessante, potencialmente superior a 100 mil € líquidos.
Conseguíamos manter o apartamento e avançar com crédito para a construção, mas seria um esforço financeiro bastante grande. Na prática, isso significaria provavelmente deixarmos de investir na bolsa durante alguns anos e, além disso, pagaríamos uma quantia considerável em juros, tendo em conta o montante de crédito que seria necessário.
Com os nossos ordenados base e rendimentos extra, que são naturalmente mais instáveis, não nos sentimos confortáveis em assumir esse nível de compromisso. Preferimos manter alguma margem e continuar a investir na bolsa dentro das nossas possibilidades.
Quem sabe, no futuro, não acabamos mesmo por investir num apartamento numa grande cidade. 😄
Obrigado pelo carinho e pelos votos! Bons investimentos! 🔥