Como começámos o nosso fundo de emergência
Artigo atualizado a 25 de agosto de 2026.
Depois de casarmos, começou a surgir o tema filhos. E foi precisamente nessa fase que surgiu uma preocupação nova, a nossa estabilidade financeira.
Até então, apesar de sermos bastante poupados, nunca tínhamos pensado muito no assunto. Mas quando começas a imaginar uma família, tudo muda. Começámos a consumir algum conteúdo sobre organização financeira e foi aí que nos cruzámos com o conceito de fundo de emergência.
Falámos entre nós e fez-nos todo o sentido. Afinal, nunca sabemos quando algo pode acontecer.
O que é, afinal, um fundo de emergência?
Um fundo de emergência é, de forma simples, dinheiro que tens guardado e que podes usar a qualquer momento, caso aconteça algo inesperado.
E quando dizemos inesperado, não estamos a falar de trocar de telemóvel ou aproveitar uma promoção. Estamos a falar de situações como:
- Uma urgência médica ou necessidade de recorrer ao privado
- Perda de emprego, redução de rendimento ou não pagamento
- Uma avaria no carro quando precisas dele para trabalhar
- Despesas imprevistas que não podem esperar
No fundo, é um mealheiro financeiro que te dá tranquilidade e evita que tenhas de recorrer a crédito.
Mas será que há algo de errado em usar cartões de crédito?
A verdade é que não. Os cartões de crédito não são maus por si só e até podem trazer vantagens, como o cashback, que te permite recuperar parte do dinheiro que gastas.
No entanto, há um ponto essencial a ter em conta.
Nunca utilizar cartões de crédito sem pagamento total mensal, porque pagar juros anula qualquer benefício do cashback.
Temos um artigo dedicado ao cashback, clica aqui para saber mais.
Quanto dinheiro devemos ter?
Não existe uma resposta certa, porque depende sempre da realidade pessoal ou de cada família.
Mas, de forma geral, fala-se em ter entre 3 a 12 meses das despesas essenciais.
E aqui é importante perceber o que são despesas essenciais:
- Habitação, renda ou crédito
- Alimentação
- Transportes, combustível
- Contas fixas como água, luz e internet
Vamos a contas:
No nosso caso, todo o dinheiro que entra e sai mensalmente é partilhado. Sabemos que muitos casais optam por gerir as finanças de forma diferente, como poderás ler neste artigo, mas este é o modelo que melhor funciona para nós.
Somos dois adultos, um bebé e uma criança, e os nossos gastos essenciais rondam os 1.000€ por mês.
Se fizermos as contas:
3 meses correspondem a 3000€
6 meses correspondem a 6000€
No caso de famílias com filhos, este cálculo torna-se mais desafiante.
As despesas mudam com frequência, existem fases de crescimento, imprevistos e nem sempre é fácil antecipar tudo.
Foi precisamente por isso que decidimos criar uma calculadora de fundo de emergência.
Além de mostrar quantos meses consegues viver sem rendimento, ajuda também a perceber quanto ainda falta para atingires um nível mais confortável, tendo em conta a tua realidade.
Acede gratuitamente à calculadora de fundo de emergência aqui.
Onde estamos a guardar o nosso fundo de emergência?
Actualmente, dividimos o nosso fundo de emergência entre Certificados de Aforro e a Trade Republic.
Não procuramos ter tudo exactamente no mesmo sítio. Para nós, faz sentido combinar uma solução de poupança de longo prazo com outra onde conseguimos ter acesso rápido ao dinheiro.
Os Certificados de Aforro funcionam como uma parte mais estruturada da nossa reserva, enquanto a Trade Republic permite-nos ter outra parte disponível de forma muito mais imediata.
Não significa que esta seja a melhor solução para todas as famílias. É simplesmente a forma como decidimos organizar o nosso fundo de emergência neste momento.
1. Certificados de Aforro
Os Certificados de Aforro são um produto de poupança do Estado Português, onde emprestamos dinheiro ao Estado e recebemos juros em troca. São considerados uma das opções mais seguras para guardar dinheiro em Portugal.
Na altura em que fizemos os nossos Certificados de Aforro, a série disponível era a Série E. Apesar de atualmente já não estar disponível, podemos manter o dinheiro aplicado com as mesmas condições durante 10 anos a contar da data de adesão.
A remuneração dos nossos Certificados de Aforro varia ao longo do tempo, uma vez que a taxa é variável e depende das condições aplicáveis à série e à data de subscrição. Atualmente, os nossos Certificados de Aforro estão a render 4,474%, informação atualizada em agosto de 2026.
O que valorizamos aqui:
• Capital protegido
• Ligação ao Estado Português
• Rendimento estável ao longo do tempo
A principal desvantagem para um fundo de emergência é a menor rapidez no acesso ao dinheiro. Nos Certificados de Aforro, o resgate antecipado só pode ser feito depois do primeiro vencimento de juros da subscrição e, por isso, não é uma solução pensada para uma necessidade que exija dinheiro imediatamente.
No caso dos Certificados de Aforro, os juros são tributados automaticamente na fonte, não sendo necessário declarar no IRS.
2. Trade Republic
A Trade Republic é actualmente onde mantemos a maior parte do nosso fundo de emergência.
Começámos a utilizá-la em 2024 e, para nós, uma das principais vantagens é o facto de podermos manter o dinheiro disponível, enquanto recebemos uma remuneração sobre o saldo.
No nosso caso, utilizamo-la sobretudo para manter uma parte do fundo de emergência e dinheiro que sabemos que poderemos precisar nos próximos meses.
Desde julho de 2026, a Trade Republic passou também a operar através de uma sucursal em Portugal e começou a disponibilizar IBANs portugueses aos seus clientes, o que apresenta vantagens e desvantagens.
O que valorizamos:
• Dinheiro disponível quando precisamos
• Juros calculados diariamente e pagos mensalmente
• Facilidade de utilização
• Possibilidade de utilizar a conta no dia a dia
As condições de remuneração podem mudar ao longo do tempo. Actualmente, a Trade Republic apresenta 3% TANB para novos clientes, até 50.000€, enquanto os valores acima desse montante são remunerados à taxa de depósito do BCE, actualmente 2,25%.
Para nós, mais importante do que a taxa em si é o facto de conseguirmos manter o dinheiro acessível. É isso que procuramos num fundo de emergência.
Queres saber mais sobre a Trade Republic?
Temos um artigo onde explicamos as vantagens e desvantagens do IBAN português, a remuneração do saldo, a protecção do dinheiro, o IRS, o Saveback e a forma como utilizamos a plataforma cá em casa.
👉 Clica aqui para leres o artigo completo sobre a Trade Republic

Juros na aplicação Trade Republic, dia 20 maio 2026
Por onde começar?
Se estás a começar, o mais importante é mesmo dar o primeiro passo.
Aquilo que fizemos foi:
- Anotar todos os ganhos e despesas
- Perceber quanto gastamos no essencial
- Definir um valor mensal para poupar
Depois disso, escolhemos onde nos sentíamos mais confortáveis para guardar o dinheiro.
Pode ser um só sítio ou vários. O importante é que seja acessível e, se possível, que vá rendendo alguma coisa.
Paga-te a ti primeiro
Sabemos que poupar atualmente não é fácil. Tudo está mais caro e nem sempre sobra dinheiro no final do mês.
O que podes fazer é, definir um valor e todos os meses, assim que recebes o ordenado, esse dinheiro é logo colocado de lado. Como se nunca tivesse existido.
Este método, muitas vezes chamado “paga-te a ti primeiro”, pode até ser automatizado para te facilitar a vida.
Pode ser 10€, 20€ ou 50€. O mais importante é criar o hábito.
Com o tempo, podes ir ajustando e aumentando esse valor.
Conclusão
Ter um fundo de emergência, acaba por dar bastante tranquilidade.
É saber que, se algo acontecer, não precisamos de entrar em pânico nem recorrer a crédito.
E uma coisa importante, este fundo não é estático. Deve ser revisto ao longo do tempo.
As despesas aumentam, os filhos crescem, surgem novas necessidades essenciais, como educação, tudo isso faz parte da vida.
Ter esta base ajuda-nos a lidar com tudo isso com muito mais calma.
Depois de termos esta base construída, começámos a olhar para outras formas de fazer o nosso dinheiro crescer.
Mas aprendemos uma coisa importante pelo caminho: o dinheiro do fundo de emergência não precisa de ser o dinheiro que mais rende.
Para nós, a prioridade é que esteja disponível quando precisamos dele e que nos permita enfrentar um imprevisto sem termos de recorrer a crédito ou mexer nos investimentos de longo prazo.
A rentabilidade é importante, claro, mas neste dinheiro valorizamos sobretudo a segurança, a liquidez e a tranquilidade que nos proporciona.
Hoje, essa é a nossa estratégia: Certificados de Aforro + Trade Republic, cada um com uma função diferente dentro do nosso fundo de emergência.
Amanhã pode ser diferente. As nossas despesas vão mudar, os nossos filhos vão crescer e as condições das plataformas também vão mudar.
E é precisamente por isso que vamos revendo esta estratégia ao longo do tempo.
E tu?
Já tens um fundo de emergência?
Partilha a tua experiência nos comentários.
Adoramos trocar ideias com quem está a fazer este caminho connosco 🔥
Disclaimer: O conteúdo deste blog reflete unicamente o nosso percurso e experiência pessoal na jornada FIRE. Não constitui aconselhamento financeiro ou legal.
Os links presentes neste artigo servem apenas para referência informativa. Não contêm qualquer afiliação.




Olá,
Antes de mais, quero dar os parabéns à vossa iniciativa de partilha da vossa jornada financeira. Gosto muito de ler/ouvir casos de outras pessoas que estejam no mesmo caminho que nós.
O nosso fundo, consideramos como despesas mensais um valor mais alto que as despesas essenciais, a volta de 1200€, e um período de 12 meses, apesar de termos empregos estáveis e contratos sem termo. Para já temos o fundo numa conta a ordem porque estavam a render 2,5% e ainda estamos com receio da revolut e trade republic.
No entanto, nasceu a nossa primeira filha há 15 meses atrás e para já, uma vez que não temos grandes despesas a nível de educação com ela, o infantário até aos 3 anos é gratuito, achamos melhor não acrescentar mais valor ao fundo.
Que acham?
Cumprimentos
Olá Ricardo, muito obrigado pelas tuas palavras e parabéns também pelo percurso que já fizeram. 😊
Sinceramente, parece-nos que estão numa posição muito equilibrada. Ter um fundo desses, com despesas controladas e empregos estáveis, já dá uma tranquilidade enorme, ainda para mais com uma filha pequena.
Nós também percebemos perfeitamente essa sensação de “e se acontecer alguma coisa?”, principalmente depois de sermos pais. 😅
Mas honestamente, não nos parece que tenham grande necessidade de continuar a aumentar o fundo nesta fase. Até porque, como dizes, ainda estão numa altura em que as despesas dela são mais leves e isso ajuda bastante.
Até podem, se vos fizer sentido, continuar a colocar de parte um x por mês, mas com o objetivo de “fundo de oportunidade”. Por exemplo, se algum investimento em que acreditam muito cair bastante, terem essa liquidez pode permitir reforçar numa boa altura, sem mexer na vossa segurança.
Mas no final, o mais importante é aquilo que vos deixa dormir descansados. E pelo que descreves, parecem estar a fazer as coisas com muita cabeça. 😊