Os investimentos dos nossos filhos
Tanto o João como a Margarida sempre tiveram uma conta poupança criada pelos pais. Apesar de o dinheiro ir perdendo valor ao longo dos anos, acabou por ser uma ajuda extra quando começámos a nossa independência.
Por isso, quando o Lourenço nasceu, decidimos que ele também teria uma conta, mas neste caso de investimento. A nossa intenção foi que o dinheiro pudesse começar a trabalhar desde cedo.
Agora que o Lucas está quase a nascer, o nosso plano é exatamente o mesmo. Queremos tratar os dois da mesma forma e garantir que tenham os mesmos benefícios.
A nossa ideia é também sermos nós próprios a educá-los nesta área, para que desenvolvam literacia financeira e aprendam desde cedo aquilo que gostaríamos que nos tivessem ensinado. Para isso, sabemos que ainda teremos de pesquisar e aprender bastante, de forma a conseguirmos transmitir-lhes o melhor possível.
O investimento que ficou por fazer, e a lição que ficou
Após o nascimento do Lourenço, ponderámos várias vezes comprar ouro físico para ele.
Tínhamos em mente uma onça de edição limitada com o ano do nascimento dele, que na altura rondava entre os 2.200€ e os 2.300€.
Parecia uma ótima ideia. Um objeto com valor físico e também sentimental, que idealmente seria oferecido aos 18 anos, como uma recordação para a vida toda, por parte dos pais.
Mas fomos adiando.
À espera que o preço descesse.
À espera do famoso “momento certo”.
A verdade é que esse momento nunca chegou. Hoje, olhando para trás, o ouro já valorizou mais de 86%. Não comprámos, não beneficiámos dessa valorização e é algo de que nos arrependemos.
Ficou a lição. Esperar pelo momento perfeito também é uma decisão, e nem sempre é a melhor.
Onde começámos, segurança antes de convicção
Nos primeiros tempos optámos por algo simples, enquanto planeávamos onde e como iríamos fazer os investimentos.
O dinheiro do Lourenço ficou parado na Trade Republic, que na altura oferecia cerca de 3,5% de juros, ao ano.
Para nós fazia sentido. Era simples, não exigia decisões complexas e permitia-nos estar tranquilos, enquanto pensávamos no próximo passo.
Após alguns meses de pesquisa, percebemos que já não fazia sentido manter o dinheiro parado. Não era um dinheiro para ser utilizado a curto prazo, mas sim para o longo prazo, possivelmente durante quase duas décadas.
A mudança para ETF’s, mas ainda no nosso nome
Foi aí que decidimos avançar para investimentos em ETF’s, começando por ETF’s que replicam o índice S&P 500, através da XTB, na conta do João.
A lógica foi simples. Preferimos manter tudo no nosso nome enquanto o Lourenço é pequeno, evitando burocracias, custos adicionais e decisões irreversíveis, demasiado cedo.
Queres saber mais sobre ETF? Clica aqui para ler o nosso artigo dedicado ao tema.
A doação de ativos e o detalhe que faz toda a diferença
Ao aprofundarmos o tema, percebemos que existe a possibilidade de doação direta de ativos a um filho, com um enquadramento fiscal que, pelo menos atualmente, faz muito sentido.
Imaginemos que, no momento da doação, existem 20.000€ investidos, dos quais 10.000€ são lucro acumulado ao longo dos anos.
Se apenas 1.000€ desse lucro corresponder aos últimos dois anos antes da doação, então será apenas esse valor que irá contar como mais-valia, quando ele decidir vender no futuro.
Todo o crescimento mais antigo fica, à data de hoje, fora de tributação.
Nós vemos isso como uma vantagem enorme. Não só pela eficiência fiscal, mas porque dá flexibilidade total. Podemos ajustar, reforçar, mudar a estratégia ao longo dos anos e só mais tarde fazer a doação.
Foi também por essa razão que decidimos não fazer um PPR, em nome do Lourenço.
Queríamos liberdade, não um produto fechado durante 18 ou 20 anos.
Mais risco, porque o tempo joga a favor dele
Sendo um investimento pensado para o longo prazo, para ele usar quando for maior de idade, sentimos que podíamos assumir um pouco mais de risco.
Decidimos então mudar de estratégia.
Os ETF’s do S&P 500 que tínhamos, Vanguard S&P 500 UCITS e SPDR S&P 500 UCITS, que inicialmente pensávamos doar, ficaram para nós.
Mas calma não ficámos com o dinheiro dele.
O dinheiro que era do Lourenço, investido nesses ETF’s, foi todo redirecionado para um ETF temático, mais precisamente o VanEck Semiconductor UCITS, através da Interactive Brokers, usando uma conta conjunta da Margarida e do João.
Mais recentemente, abrimos também uma conta na XTB em nome da Margarida, onde fizemos novos investimentos para o Lourenço, neste mesmo ETF, usando as prendas monetárias de Natal que ele recebeu.
Nada de complicado. Apenas consistência e custos controlados.

Registo dos investimentos dos miúdos, captado a 30 de março de 2026, às 18h00
Nota: apesar do Lucas ainda não ter nascido, já tem dinheiro a trabalhar para ele
Porque escolhemos o VanEck Semiconductor UCITS ETF
Após vários meses de pesquisa, definimos algumas condições para o investimento:
• Ser acumulativo, para reinvestir automaticamente os dividendos
• Estar regulado na Europa (UCITS)
• Ter potencial de crescimento a longo prazo
Depois de muita análise, o ETF que nos fez mais sentido foi o VanEck Semiconductor UCITS ETF (ISIN: IE00BMC38736).
Este ETF investe nas principais empresas de semicondutores do mundo, responsáveis pela produção dos chips que alimentam praticamente tudo, desde telemóveis a carros elétricos, inteligência artificial e centros de dados.
Sobre o VanEck Semiconductor UCITS ETF
Características principais
• Replicação física, compra efetiva das ações
• TER de 0,35% ao ano, dentro do normal para ETFs temáticos
• Dividendos acumulativos
• Indexado ao MVIS US Listed Semiconductor 10% Capped ESG Index, com empresas como NVIDIA, TSMC, AMD, Intel e ASML
• Regulado na Irlanda, enquadramento UCITS
Porque gostamos dele
• Setor com crescimento estrutural
• Gestão simples
• Fácil de compreender, sabemos onde estamos a investir
• Ideal para longo prazo, cresce com o Lourenço
Riscos que temos bem presentes
• Setor concentrado
• Exposição ao dólar
• Volatilidade elevada, só faz sentido a longo prazo
Para nós, é uma peça sólida dentro da nossa estratégia familiar, um investimento com tempo para amadurecer.
O plano para o futuro, simples e com poucos intermediários
A ideia para o futuro é clara.
Quando fizer sentido, criar uma conta de investimento no ActivoBank, transferir os ativos que estão na Interactive Brokers e na XTB e, a partir daí, fazer a doação direta para uma conta em nome do Lourenço.
Sabemos que a legislação pode mudar ao longo dos anos, mas atualmente é este o plano.
Por ser uma forma simples, legal e eficiente de passar os ativos para o nome dele, com custos mínimos.
Do ponto de vista fiscal, a única obrigação é comunicar à Autoridade Tributária a transmissão gratuita, no prazo de três meses após a doação.
Nada mais.
Conclusão
Este é atualmente o nosso plano de investimento para o Lourenço e será também o mesmo para o Lucas, porque nos permite rentabilizar o tempo, evitar custos desnecessários e manter flexibilidade.
Se no futuro as regras mudarem, adaptamo-nos. Como sempre fizemos.
E, caso isso aconteça, também iremos partilhar por aqui, porque nada tem de ser definitivo.
E tu?
Já pensaste em investir o dinheiro dos teus filhos?
Se investes, que tipo de investimentos escolheste, contas remuneradas, ETF’s, PPR ou outro?
Partilha a tua experiência nos comentários.
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Disclaimer: O conteúdo deste blog reflete unicamente o nosso percurso e experiência pessoal na jornada FIRE. Não constitui aconselhamento financeiro ou legal.
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