A nossa viagem à Madeira com o Lourenço, com apenas 1 ano


Viajar com um bebé de forma económica é possível, mas exige planeamento e organização. No nosso caso, decidimos explorar a Madeira e partilhamos tudo o que aprendemos nesta experiência.
Escolha do destino
Com um bebé de 1 ano, tivemos alguns critérios importantes:
- Destino europeu, devido à maior probabilidade de o bebé ficar doente nos primeiros anos.
- Voos diretos e curtos, para evitar stress e cansaço.
- Viagem em março, fora da época alta, o que limitava opções de resorts de praia e sol.
Foi assim que a Madeira surgiu. Confessamos que antes não estava na nossa lista de destinos, pelas fotos, parecia “nada de especial”. Mas a experiência mudou totalmente a nossa opinião: a ilha é deslumbrante, com paisagens de cortar a respiração.
Reservas e voos
Decidimos organizar tudo por nossa conta.
Optámos pela TAP e chegámos cedo ao aeroporto, mas acabámos por nos distrair e perder o voo. Houve ainda uma corrida improvisada com o carrinho, as malas e o bebé, mas não conseguimos chegar a tempo. Mesmo assim, a equipa da TAP foi impecável, colocando-nos no voo seguinte sem qualquer custo ou problema.
Antes e durante o voo, aplicámos algumas dicas úteis.
Antes de embarcar, limpámos o nariz do Lourenço com soro fisiológico, para ajudar na respiração. Na descolagem e na aterragem demos-lhe a chupeta, para aliviar a pressão nos ouvidos, e tapámos ligeiramente os ouvidos com a manta para o proteger do ruído.
Na mala de cabine levámos tudo o que poderia fazer falta: brinquedos pequenos, chupeta extra, roupa suplente, manta, fraldas, dudu, compressas, babete, colher e comida do bebé. Assim, mesmo que houvesse atrasos ou imprevistos, estávamos preparados e mais tranquilos.
👉 Viagem + seguro viagem (s/malas de porão) – TAP – 205,72€
Alojamento
Optámos por um apartamento, o que permitiu preparar grande parte das nossas refeições e todas as refeições do Lourenço, especialmente devido a restrições alimentares.
Além de poupança, este tipo de alojamento dá maior flexibilidade, embora seja mais cansativo do que ficar num resort.
👉 Compras supermercado e produtos típicos para experimentarmos – 96,33€
👉 Alojamento, apartamento 5 noites – 395,71€
👉 Taxa turística Madeira 2€/noite adulto – 20€
Diário da Viagem
7 de março
Vimos a famosa estátua do Cristiano Ronaldo.
Fomos de transfer até às instalações da empresa de aluguer de automóveis, a Centauro Rent-A-Car.
👉 Carro sem seguro Ford Focus – 45,24€
👉 Cadeira de bebé para o carro – 90€ (sim, foi o valor para alugar e não para comprar 🙃)
Demos um passeio pelo centro do Funchal e aproveitámos para almoçar na Taberna Ruel.
Optámos por algo bem típico, lapas, bolo do caco e chocos grelhados.
👉 Almoço – 49,25€
Durante a tarde continuámos a explorar o centro do Funchal e visitámos o Mercado dos Lavradores, onde provámos várias frutas. De todas, a que mais gostámos foi a banana de ananás, não comprámos pelo preço pouco simpático, 50€ o quilo.
Acabámos por comprar, para experimentar, banana prata, banana maçã e anona, os preços variam bastante de barraquinha para barraquinha, por isso vejam os preços primeiro em todas antes de comprar.
Bebemos uma bela poncha numa taberna típica e provámos o tradicional bolo da noiva.
Não sabemos os valores individuais das frutas nem dos produtos típicos que comprámos. Estão incluídas no valor total das compras de supermercado e produtos típicos que mencionámos acima.
No final do dia chegámos ao apartamento e tínhamos uma surpresa à nossa espera. Sem a Margarida saber, o João tinha falado com o proprietário do alojamento e pedido para preparar algo especial. Quando abrimos a porta, lá estava uma caixa de chocolates artesanais e uma garrafa de licor de ginja à nossa espera.
👉 Surpresa para Margarida – 35,98€

8 de março
Visitámos as piscinas naturais de Porto Moniz. Durante a viagem fomos parando junto a belas cascatas que encontrámos ao longo do caminho.
Ainda de manhã visitámos a Cascata da Garganta Funda. O tempo estava inconstante e o percurso era relativamente longo, com bastante lama. Como o Lourenço estava a dormir no carro, apenas a Margarida fez o percurso. O João, ao ver o estado em que ficaram os ténis da Margarida, decidiu não ir.
Seguimos depois para a famosa Cascata dos Anjos. Na altura que fomos, o acesso de carro estava interdito, mas o percurso faz-se muito bem a pé.
Continuámos até à Ponta do Sol, que nesse dia estava mais para Ponta do Vento. Apesar do sol, o vento estava bastante forte.
Durante a tarde andámos no teleférico da Fajã dos Padres. O João não gosta de alturas, e estava com algum receio, mas acabou por gostar bastante da experiência. Ainda passeámos pelos jardins de cultivo antes de regressarmos no teleférico.
👉 Teleférico da Fajã dos Padres – 12€ por adulto
De seguida fomos ao miradouro do Cabo Girão, tem uma vista de cortar a respiração.
👉 Cabo Girão – 3€ por adulto
Passámos por Câmara de Lobos para visitar a baía.
No final do dia fizemos um pequeno percurso pedestre na zona do complexo de Ponta Gorda.
9 de março
No terceiro dia, começámos pelo Parque Florestal das Queimadas. É uma zona com vários trilhos e uma envolvente natural incrível. Como o Lourenço ainda era pequeno, optámos por não fazer nenhum trilho, mas só a parte inicial do parque já valeu completamente a visita.
👉 Apenas pagámos parque de estacionamento.
Depois seguimos até Santana para ver as famosas casas típicas. Pelo caminho fomos parando em alguns miradouros, daqueles que obrigam mesmo a parar o carro e simplesmente apreciar a vista. A Madeira tem esse poder, cada curva pode esconder uma paisagem memorável.
👉 Apenas pagámos parque de estacionamento.
Continuámos até ao Caniçal para visitar a Ponta de São Lourenço, e mais uma vez ficámos rendidos com a paisagem.
Da parte da tarde visitámos o Jardim Tropical Monte Palace. Nós fomos até lá de carro, mas também é possível subir de teleférico.
👉 Jardim Tropical Monte Palace – 15€ por adulto
O jardim é lindíssimo e enorme. Tem história, fauna, flora e tudo está muito bem cuidado. É daqueles espaços onde se pode passar horas sem dar pelo tempo a passar. O Lourenço ficou fascinado, principalmente com os flamingos, os peixes e os pavões.🦩


10 de março
Começámos por visitar o miradouro do Curral das Freiras. Como estava imenso vento, caminho estava escorregadio e um pouco perigoso, optámos por ir à vez.
Ainda passámos pelo miradouro do Pico Ruivo, mas quando chegámos, estava tudo completamente tapado pelo nevoeiro. Ainda ficámos cerca de uma hora à espera, na esperança de que o tempo abrisse, mas não houve melhorias.
Entretanto falámos com um local, que nos disse que tinha estado assim praticamente toda a semana. Percebemos que não valia a pena insistir e decidimos seguir caminho para o próximo destino.
Seguimos então para a Praia do Seixal, com a sua areia preta tão característica. Aqui o cenário mudou completamente. Um sol maravilhoso, temperatura agradável e um ambiente mesmo convidativo a ir a banhos.
O Lourenço ficou encantado assim que sentiu a areia nos pés.
E claro, tinha de acontecer um momento digno de registo. O João decidiu molhar os pezinhos do Lourenço. O Lourenço estava descalço, o João não. Veio uma mini onda inesperada e resultado, ténis completamente molhados.
Ainda bem que estava sol, sempre ajudou a secar um pouco.
No início da tarde, já no regresso, fomos vendo algumas cascatas ao longo da estrada.
Com o cansaço acumulado, o tempo a começar a piorar e ainda algumas refeições por preparar, decidimos que o melhor seria regressar a casa e descansar um pouco.
11 de março
E chegou um dos dias mais aguardados pela Margarida 🤍
Um dos maiores sonhos dela é ver uma baleia azul ao vivo. Durante anos dizia que também gostava de nadar com uma, e até com tubarões falava nisso sem medo. Desde que o Lourenço nasceu ficou um pouco mais cautelosa. Continua a gostar da ideia, mas agora pensa duas vezes antes de se imaginar no meio do oceano. A maternidade muda mesmo algumas coisas.
Marcámos um passeio de barco para observação de cetáceos. Fomos com a GetYourGuide e a experiência, no geral, correu muito bem.
O mar estava relativamente calmo e, malta, vimos baleias. Não foi a tão desejada baleia azul, mas vimos baleias piloto. Só aquele momento de as ver surgir no meio do mar já foi especial. É impossível não sentir respeito por aqueles animais no seu habitat natural.
Agora, a parte menos boa da história. O João passou o passeio super enjoado. Vomitou imenso. Ele próprio diz, em tom de brincadeira, que as baleias só apareceram porque ele vomitou ao mar. Apesar disso, garante que voltava a repetir a experiência.
O Lourenço nesse momento estava a dormir no carrinho de passeio, mas ficaram os vídeos e fotografias para lhe mostrar.
Foram mais de três horas no barco e, mesmo depois de regressarmos a terra, continuávamos com aquela sensação de que o chão ainda estava a mexer.
👉 Passeio de catamaran – 35€ por adulto
Por isso, demos um pequeno passeio pela zona de São Martinho, algo leve e tranquilo, e depois fomos descansar para casa.

12 de março
Chegámos ao último dia, e começámos por abandonar o alojamento.
De manhã fomos ver os tradicionais carros de cesto a deslizarem pelas ruas do Funchal. Optámos por não participar. Para descermos, o Lourenço também teria de ir e, para nós, não nos pareceu a opção mais segura.
Depois seguimos até ao miradouro do Cristo Rei para aquilo a que chamámos, em tom de brincadeira, a nossa sessão de cardio do dia. Descer e subir aquelas escadas todas com um bebé ao colo devia contar como treino oficial. Fizemos em equipa, a descer levou a Margarida, a subir foi a vez do João. No final estávamos ofegantes, mas a vista compensou.
Como já tínhamos visitado todos os locais que queríamos, fomos devolver o carro. É um processo que ainda demora algum tempo, entre inspeção e documentação.
Decidimos ir para o aeroporto com antecedência.
No voo de ida a TAP tinha sido bastante acessível connosco, então resolvemos tentar a nossa sorte. Perguntámos se havia possibilidade de embarcar num voo mais cedo. Conseguimos. Chegámos a Lisboa três horas antes do previsto.
E ainda bem que o fizemos. Mais tarde recebemos mensagens a alertar, que o tempo tinha piorado e que o nosso voo original estava com duas horas de atraso.
Depois de aterrarmos em Lisboa ainda nos esperaram mais de duas horas de carro até casa.
Outros custos da viagem
👉 Parques de estacionamento na Madeira – 19,70€
Na Madeira, sobretudo nas zonas mais movimentadas, muitos estacionamentos são pagos. Até no Fórum e em alguns supermercados se paga. Não é um valor absurdo, mas é algo a ter em conta quando se planeia o orçamento.
👉 Gasolina na Madeira – 57,94€
Como explorámos bastante a ilha, acabámos por andar muito de carro. Valeu bastante a pena pela liberdade que nos deu.
Usámos cartões de cashback, o que nos permitiu recuperar alguns euros. Se queres saber mais sobre cashback, clica aqui.
👉 Parque de estacionamento no Aeroporto de Lisboa, 6 dias – 48€
Vivemos a mais de duas horas de Lisboa, por isso para nós era mesmo imprescindível levar o nosso carro, ainda por cima com um bebé. No início da nossa relação fizemos uma viagem em que fomos de autocarro até Lisboa e prometemos que não repetiríamos a experiência.
👉 Portagens em Portugal – 33€
👉 Gasolina em Portugal – 53,95€
Estes foram os valores para irmos até Lisboa e regressarmos a casa.
No final de contas, esta viagem ficou por 1.280,82€ no total.
Todos os custos na viagem

Pequenas coisas que facilitaram a nossa viagem
Começando pelos voos. Levámos comida para o Lourenço já a contar com possíveis atrasos. Preferimos ir prevenidos, até porque com um bebé a fome não espera. Nos dois voos pedimos à tripulação para aquecer a comida do Lourenço, em banho-maria e correu sempre bem.
Como o roteiro implicava muitas horas de carro, acabou por ajudar o Lourenço ainda fazer sestas. Aproveitámos isso a nosso favor. Logo de manhã seguíamos para o ponto mais distante que queríamos visitar nesse dia, que coincidia com uma das sestas dele. Assim, ele dormia durante a parte mais longa da viagem. Ao longo do dia íamos ficando cada vez mais perto do alojamento, o que tornava as deslocações mais curtas e ele ficava muito menos impaciente. Foi uma pequena estratégia que nos deu muito mais tranquilidade.
Apanhámos tempo bastante inconstante. O que nos salvou em vários momentos foi o marsúpio e uma manta. Fizemos imensas paragens, algumas muito rápidas. Para evitar a logística de estar sempre a vestir e despir o casaco do Lourenço, protegíamo-lo com a manta. Simples e eficaz. O marsúpio foi mesmo imprescindível para o tipo de roteiro que fizemos, andámos muito a pé em zonas irregulares onde o carrinho não teria funcionado.
No carro tínhamos sempre o carrinho de passeio e uma mochila preparada com os essenciais. Chapéu de chuva, roupa extra, dudu, chupeta suplente, comida, colher extra, lenços, fraldas, compressas, água, babete lavável… A fralda era quase sempre mudada no carro.
Relativamente ao almoço do Lourenço, levámos mini taças de casa já com a ideia de simplificar ao máximo. Aquecíamos a comida de manhã, antes de sair, e colocávamos na zona térmica da mochila. Assim garantíamos que ele tinha a refeição pronta na hora certa, sem depender de encontrar um micro-ondas pelo caminho.
No nosso caso, só fomos ao restaurante uma vez durante toda a viagem. Nos restantes dias preparávamos sandes de carne ou peixe, saladas frias, fruta e levávamos sempre snacks para os lanches.
Acabou por ser muito mais prático. Não tivemos de nos preocupar com horários, filas ou encontrar restaurantes abertos, especialmente porque muitas vezes estávamos em zonas mais remotas, sem praticamente nenhuma opção de restauração por perto. Houve vários momentos em que aproveitámos para comer enquanto o Lourenço dormia, o que facilitou imenso a nossa logística e permitiu manter o ritmo do dia sem grandes interrupções.
Rir sem julgamento
Desde que se tornou pai, o João ficou com muito mais receio de viajar.
Mesmo assim, já fizemos duas viagens com o Lourenço, temos outra marcada com o Lourenço e o novo bebé, e ele já percebeu uma coisa importante, às vezes basta confiar na Margarida.
A Margarida, nesse aspeto, é muito mais descomplicada. Vê soluções onde os outros veem problemas.
Um exemplo, no último dia da viagem, tinha sobrado salada fria. Não queríamos deitar fora comida, mas também não podíamos levar as taças do alojamento.
E de repente ela diz, com a maior calma do mundo, “Temos duas garrafas de água vazias. Confia.”
Nós deixamos a próxima fotografia como prova. Nada de julgamentos, por favor. Mas podem rir-se à vontade, nós rimo-nos imenso quando nos lembramos.

Viajar connosco não é sobre perfeição. É sobre desenrascar, adaptar e, muitas vezes, improvisar com criatividade.
Conclusão
Adorámos a Madeira. Sinceramente, não estávamos à espera de gostar tanto. A paisagem, a natureza, os miradouros, tudo superou as nossas expectativas.
Ficámos com pena de não termos feito alguns trilhos mais exigentes, mas com o Lourenço nesta fase seria complicado. Quando o Lourenço e o mano, forem mais velhos, queremos aproveitar a ilha com ainda mais liberdade, explorar mais trilhos e a gastronomia.
Foi uma viagem bastante económica, muito por termos preparado grande parte das nossas refeições. O facto de o Lourenço ainda não pagar nem voo, nem as atrações que visitámos, também ajudou no orçamento final.
Esta foi a nossa segunda viagem com o Lourenço. Sabemos que, à medida que os anos vão passando, viajar em família vai ficando mais caro.
Mas há uma coisa que não tem preço, as experiências que vivemos juntos e as memórias que estamos a construir enquanto família.
O Lourenço pode não se lembrar desta viagem quando for mais velho, mas fez parte dela. E isso, para nós, já é tudo.
E tu, já te aventuraste a viajar com um bebé?
Partilha a tua experiência nos comentários! 🙌
Obrigado por estares desse lado e fazeres parte desta jornada ❤️
Disclaimer: O conteúdo deste blog reflete unicamente o nosso percurso e experiência pessoal na jornada FIRE. Não constitui aconselhamento financeiro ou legal.



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