De 100€ por mês a um fundo para a universidade dos nossos filhos
Há decisões que vamos adiando.
Não porque não sejam importantes, mas porque nunca parecem realmente urgentes.
Entre o trabalho, a construção da casa e a vontade de acelerar ao máximo o caminho para a independência financeira, havia um tema que surgia de vez em quando nas nossas conversas: e o futuro dos miúdos?
Daqui a alguns anos, se os dois seguirem para a universidade, o impacto financeiro pode ser significativo. Não faria sentido começarmos já a preparar-nos para essa fase?
A resposta parecia óbvia.
O problema é que existe uma grande diferença entre pensar e fazer.
Mas, finalmente, decidimos colocar esse investimento em prática, porque, apesar de ainda faltarem muitos anos, quanto mais cedo se começa a investir, melhor são os resultados.
Qual é o plano?
Este fundo é destinado aos nossos dois filhos e tem um objetivo muito específico: ajudar a suportar as propinas, o alojamento e outras despesas relacionadas com a universidade.
A ideia é simples.
Quando chegar essa altura, queremos ter um valor acumulado, que nos permita garantir a continuação dos estudos dos miúdos, sem mexer no dinheiro destinado ao nosso FIRE.
Por isso, decidimos separar completamente as duas coisas. Continuamos a investir para a nossa independência financeira, enquanto construímos, em paralelo, um fundo dedicado exclusivamente ao futuro dos miúdos.
O compromisso que conseguimos assumir
Neste momento, conseguimos investir 100€ por mês.
Não se trata de um valor particularmente elevado, no entanto, é o valor que conseguimos garantir com consistência, nesta fase da nossa vida, uma vez que estamos a construir casa.
Preferimos começar com um valor mais baixo, mas sustentável, do que definir uma meta demasiado ambiciosa e acabar por não a conseguir manter ao longo do tempo.
No final de contas, acreditamos que a consistência vale mais do que a perfeição.
No futuro o objetivo é ir aumentando este valor gradualmente, por exemplo mais 5€ ou 10€ por mês todos os anos.
Onde estamos a investir
Uma vez que este é um objetivo para daqui a muitos anos, decidimos investir com uma perspetiva de longo prazo.
Distribuímos assim:
60% num ETF global MSCI All World, para diversificação
15% num ETF Nasdaq 100, com foco em crescimento
15% num ETF de semicondutores, porque acreditamos no setor
10% num ETC ouro, para algum equilíbrio
Se ainda tens dúvidas sobre o que é um ETF, espreita este artigo onde explicamos tudo ao detalhe.
Que corretora estamos a usar?
No início também surgiu uma questão importante:
“Que corretora vamos utilizar?”
Depois de compararmos várias opções e fazermos alguma pesquisa, acabámos por escolher a XTB.
Foi a corretora que nos pareceu fazer mais sentido para este objetivo, por várias razões:
• Tem sucursal em Portugal, o que nos transmite uma confiança adicional.
• O suporte costuma responder rapidamente nos dias úteis, algo que valorizamos quando surgem dúvidas.
• Disponibiliza relatórios completos para efeitos de IRS, o que simplifica bastante a vida na altura da declaração.
• Não cobra comissões de investimento até 100.000€ por mês o que ajuda a maximizar o valor investido.
• Permite automatizar os investimentos, evitando assim esquecimentos.
Automatizar para não falhar
Na XTB é possível automatizar praticamente todo este processo.
Por exemplo, podes criar um plano de investimento automático de 100€ por mês e, do lado do banco, programar uma transferência automática para a corretora no dia x de cada mês.
Na prática, isto significa que o dinheiro sai da conta bancária, entra na XTB e é investido automaticamente, sem que tenhas de fazer mais nada.
Se o dia definido coincidir com um fim de semana ou feriado, o investimento será efetuado no dia útil seguinte em que o mercado esteja aberto.
Pode parecer um pequeno detalhe, mas ajuda a evitar um problema muito comum: esquecer de investir.
Ao automatizar o processo, elimina-se a necessidade de tomar a mesma decisão todos os meses, tornando mais fácil manter a consistência ao longo dos anos.
No nosso caso, acabamos por não utilizar esta funcionalidade.
Isto porque, para além deste fundo para os miúdos, utilizamos a mesma conta para investir o cashback que vamos acumulando ao longo do mês. Como esse valor varia bastante e nunca sabemos exatamente quanto vamos receber, preferimos continuar a fazer os investimentos manualmente.
Os primeiros resultados
Embora este seja um objetivo pensado para o longo prazo, já conseguimos acompanhar os primeiros resultados deste fundo.
Para já, em cerca de 6 meses e meio, o fundo apresenta uma rentabilidade de aproximadamente 13.7%, o que corresponde a uma rentabilidade anualizada próxima dos 28%.
Naturalmente, estamos muito satisfeitos com a evolução até ao momento e com a forma como a estratégia tem funcionado.
No entanto, temos plena consciência de que este é um período bastante curto, considerando que se trata de um objetivo com um horizonte temporal de 18 anos.
Os mercados não sobem sempre ao mesmo ritmo e é perfeitamente normal existirem anos com resultados mais modestos, ou até negativos.

Resultados do fundo em julho de 2026
Pequenos ajustes que podem fazer diferença
Outra ideia que temos em cima da mesa, mas que ainda não estamos a aplicar, está relacionada com os subsídios.
Por exemplo, nos meses em que recebemos o subsídio de férias, pode fazer sentido reforçar mais este fundo.
Em vez de 100€, investir 200€ nesse mês.
Não é algo obrigatório, nem algo que já estejamos a fazer.
Mas é uma daquelas pequenas decisões que, ao longo dos anos, pode dar um “boost” interessante ao valor final.
O poder do tempo
Para percebermos melhor o impacto deste plano, fizemos algumas simulações.
Assumindo uma rentabilidade média de 10% ao ano, que pode ou não acontecer, investir 100€ por mês durante 18 anos pode resultar em mais de 57.000€.

Esta simulação foi feita com a nossa calculadora de juros compostos, criámos para testar diferentes cenários e tomar decisões mais conscientes no nosso dia a dia.
Se quiseres experimentar com os teus próprios valores, podes aceder aqui:
👉 https://familia-fire.com/calculadora-de-juros-compostos/
No separador “ferramentas”, do nosso blog, tens também outras calculadoras totalmente gratuitas, que te podem ajudar a planear melhor, seja para investimentos, poupança ou objetivos a longo prazo.
O momento certo para começar
Este plano não nasceu numa fase tranquila.
Na verdade, foi precisamente o contrário.
Estamos a construir casa, os preços continuam a aumentar e a incerteza faz parte do dia a dia. Se esperássemos pelo momento ideal para começar, provavelmente ainda estaríamos à espera.
Porque a verdade é que nunca sabemos o que nos reserva o dia de amanhã.
Mesmo assim, decidimos avançar.
Percebemos que adiar não era solução e que esperar pelas condições perfeitas podia significar nunca sair do mesmo sítio.
Por isso, começámos com aquilo que conseguimos hoje, sabendo que o mais importante não é começar em grande, mas simplesmente começar.
O que queremos daqui a 18 anos
Quando chegar essa altura, queremos ter opções.
Queremos ter a possibilidade de apoiar o Lourenço e o Lucas nos estudos que decidirem seguir, sem comprometer aquilo que estamos a construir para o nosso próprio futuro.
Acima de tudo, queremos que tenham liberdade para escolher o seu caminho. Que a decisão sobre estudar mais alguns anos seja tomada pelos seus interesses e ambições, e não apenas por questões financeiras.
No fundo, este fundo é muito mais do que dinheiro.
É tranquilidade.
É a oportunidade de preparar o futuro com antecedência, enquanto continuamos a viver e a construir o presente.
E é mais um passo, simples mas consistente, na vida que estamos a tentar construir como família.
E tu?
Já criaste algum fundo para o futuro dos teus filhos?
Se sim, que caminho escolheste: conta poupança, ETF, PPR ou outra alternativa?
Partilha a tua experiência nos comentários.
Adoramos trocar ideias com quem está a fazer este caminho connosco 🔥
Disclaimer: O conteúdo deste blog reflete unicamente o nosso percurso e experiência pessoal na jornada FIRE. Não constitui aconselhamento financeiro ou legal.
Os links presentes neste artigo servem apenas para referência informativa. Não temos qualquer tipo de parceria com a XTB, nem recebemos qualquer benefício por a mencionar.



Olá, obrigado pelo artigo! Estou com uma dúvida, vocês fazem 100 para os dois ou para cada?
Em termos de estratégia estou a fazer 80% em MSCI World e o restante em Emerging Markets. Neste momento faço 50 (queria aumentar para 100 em breve se a carteira assim o permitir) para cada um dos meus filhos e como começei depois de um deles nascer paguei os respetivos retroativos eheh
Olá Fábio, obrigada pelo teu carinho! 🤍
Neste momento fazemos 100€/mês no total, ou seja, 50€ para cada um. A ideia é irmos aumentando aos poucos, mas com o arranque da construção da casa, a prioridade, por agora, tem de ser essa. Ainda assim, gostávamos de, pelo menos, ir subindo uns 5€ por ano e também passar a fazer 14 reforços por ano em vez de 12, os 2 extra a coincidir com os meses dos subsídios de férias.
A tua estratégia também nos parece interessante! No nosso caso, este fundo é pensado exclusivamente para a universidade deles, precisamente para não mexermos no nosso número FIRE nessa altura, já que nessa fase ambos esperamos já ter atingido a independência financeira.
Sobre os investimentos deles em geral (não só o fundo da universidade), temos um artigo dedicado só a esse tema. Como o Lucas é 2 anos mais novo que o Lourenço, também pretendemos, no futuro, fazer reforços adicionais graduais para equilibrar um pouco essa diferença, é algo que ainda vamos explorar numa das próximas newsletters 🔥
Obrigado pela vossa resposta! Entendo, no nosso caso estamos a fazer para a universidade e o que sobrar, se sobrar, ficará para eles, daí querer aumentar o valor. Eles também têm um certo valor em Certificados de Aforro, que estou a tentar reduzir aos poucos, movimentando de um lado para o outro. Como o horizonte é grande acaba por ser vantajoso para os miúdos. Mais uma vez obrigado 😉