Vale a pena fazer trading? A nossa experiência pessoal!
Disclaimer: Antes de começarmos, queremos esclarecer que este artigo reflete apenas a nossa experiência pessoal e não constitui aconselhamento financeiro.
Para uma melhor leitura das imagens, recomendamos que este artigo seja visualizado num computador.
A venda do nosso apartamento gerou uma quantia considerável. Claro que “grande quantia” é sempre relativo; aquilo que para nós é significativo pode não ser para ti, mas, na nossa realidade, foi mesmo um valor importante.
Vendemos com a intenção de construir a nossa casa. Para algumas pessoas pode parecer estranho, porque sabemos que construir demora anos, e poderíamos ter vendido apenas após a conclusão. Mas, para nós, esta foi a decisão que fazia mais sentido. Aproveitámos um mercado em alta, com boa valorização do imóvel, e, ao termos o dinheiro disponível, conseguimos ir pagando a construção ao longo do tempo. Isso permitiu-nos avançar com mais calma, menos pressão e acaba por tornar todo o processo mais barato e controlado.
Uma pequena parte desse dinheiro já foi usada na compra do terreno. A partir daí, sabíamos que vinha a fase menos entusiasmante: a burocracia, as licenças, os projetos e as esperas. Um processo longo, cheio de tempos mortos, em que o dinheiro fica parado à espera que as coisas avancem.
Como surgiu o trading
Foi exatamente nesse período que começámos a questionar o que fazer com o dinheiro. Deixá-lo simplesmente parado não nos deixava tranquilos, pois sabíamos que a inflação consumiria parte do seu valor a cada mês. Por outro lado, investir na bolsa não parecia a opção ideal, pelo menos não com este montante e neste momento das nossas vidas, porque queríamos resultados mais rápidos.
Ficámos num meio-termo complicado: entre proteger o capital e tentar que ele trabalhasse um pouco por nós. Foi a partir daqui que começámos a olhar para o trading como uma possibilidade, sempre com muito cuidado e regras bem definidas. Desde o início tivemos claro que não iríamos arriscar todo o valor, porque poderíamos ficar presos numa posição em prejuízo e precisar desse dinheiro para iniciar a construção da casa.
A prioridade sempre foi proteger aquilo que já conquistámos e, só depois, de forma muito controlada e consciente, permitir que uma pequena parte do capital trabalhe por nós.
A nossa primeira escolha – Apple
No início de 2025, o João começou a acompanhar os mercados financeiros com mais atenção, sobretudo o mercado americano. Em junho, enquanto quase todas as grandes tecnológicas estavam em máximos históricos, a Apple destacava-se pela negativa, estando cerca de 25% abaixo desses valores.
Falava-se muito das dificuldades da Apple na área da Inteligência Artificial e o receio do mercado era evidente. Ainda assim, para o João, essa avaliação não fazia muito sentido. Tendo em conta a dimensão da empresa, a força do ecossistema e a capacidade que a Apple sempre mostrou de se adaptar e reinventar, parecia haver ali um desfasamento entre o medo do mercado e a realidade do negócio.
Até que surgiu uma pergunta simples, mas que nos fez parar para pensar.
“E se investíssemos 50.000€ na Apple e ela subi-se até ao seu antigo máximo histórico?”
Isso significaria 12.500€ de valorização. A probabilidade de isso acontecer no espaço de um ano parecia-nos bastante realista.
A conversa terminou com uma frase meio em tom de brincadeira, mas que ficou connosco.
“Com esse dinheiro pagamos o batizado do Lourenço e ainda sobra qualquer coisa.”
Primeira corretora – XTB
Decidimos avançar, mas sempre com os pés bem assentes na terra. Sobretudo no início, tivemos bastante medo. Convém também dizer que no passado já tínhamos tido más experiências, com valores baixos em investimentos em criptomoedas, o que, apesar de tudo, acabou por ser importante para crescermos e percebermos, na prática, o que não podemos voltar a fazer.
Começámos de forma muito gradual. Primeiro com 5.000€, depois aumentámos para 10.000€, mais tarde 35.000€. Cada passo foi dado com tempo, análise e sempre prontos a recuar se algo não fizesse sentido.
As primeiras operações foram feitas na XTB. No entanto, após algumas trades, percebemos que a plataforma não se adequava à estratégia que queríamos seguir. De forma simples, sempre que colocávamos e retirávamos dinheiro, esse volume ia sendo acumulado. Quando atingiu os 100.000€ mensal, passámos a pagar uma comissão de 0,2%, que se tornou demasiado pesada, sobretudo tendo em conta que o objetivo era aproveitar variações de preço relativamente curtas.
Na prática, uma parte muito significativa do lucro acabava quase toda do lado da corretora, o que nos obrigou a parar, reavaliar e procurar uma solução mais ajustada à forma como queríamos operar.
A mudança para a Trade Republic
Foi aí que decidimos mudar para a Trade Republic. Sabemos que não é uma plataforma desenhada para trading profissional, mas também nunca nos colocámos nesse papel. As taxas fixas de 1€ por operação fazem muito mais sentido para nós.
Outro ponto importante é a possibilidade de negociar fora do horário normal de bolsa. Apesar de os preços serem ligeiramente menos favoráveis e a liquidez ser menor, essa flexibilidade acaba por abrir algumas oportunidades interessantes, sobretudo em dias de maior volatilidade.
Equipa que ganha não se mexe
Aqui vale a pena esclarecer algo de forma muito direta.
Das 31 trades que realizámos até agora, 25 foram exclusivamente na Apple. Apenas 6 trades foram noutras empresas, algo que fica muito claro nos dados da aplicação e no vídeo que partilhamos mais em baixo.
Esta concentração não foi fruto do acaso. A Apple sempre esteve no centro da nossa estratégia, por ser a empresa que acompanhámos mais de perto ao longo do tempo, o que nos deu maior conforto para tomar decisões, mesmo em momentos de maior volatilidade.
Do risco ao retorno: o primeiro grande ganho
A nossa lógica inicial era simples:
Comprar sempre mais baixo do que o preço da última venda.
Algumas vezes funcionou, outras não. O maior susto aconteceu em julho, quando surgiram os anúncios do Trump sobre tarifas. As ações caíram de forma acentuada. Não vendemos nada. Pelo contrário, aproveitámos a descida para reforçar posições.
Pouco tempo depois, a Apple anunciou um investimento de 600 mil milhões de dólares nos Estados Unidos, e o mercado reagiu de forma muito positiva. As ações subiram quase 10%, e tivemos o nosso primeiro grande ganho, 1.594€. Foi um momento marcante e muito motivador.
Um trade inesperado
No dia 3 de outubro, durante uma simples caminhada no parque, o João começou a receber alertas sucessivos. Apple a descer 1%, depois 2%, depois 3%.
Foi ver notícias, nada. Índices estáveis. Outras tecnológicas também. Tudo parecia normal, menos a Apple.
Com algum receio, decidiu avançar e comprou 25.000€ em ações. Menos de duas horas depois, vendeu a posição com 354,50€ de lucro. Um trade rápido, inesperado e que mostrou bem o lado imprevisível deste tipo de estratégia.

Nos mercados, más notícias podem ser boas notícias
As trades mais lucrativas aconteceram a 10 de outubro. Nesse dia, o Trump fez duas publicações sobre a China na rede social Truth Social, o que provocou quedas fortes no mercado.
Sempre que o preço recuava cerca de 1%, reforçávamos a posição com compras de montantes distintos, seguindo uma estratégia previamente definida.
O risco era elevado, sabíamos disso. Mas acreditávamos que seriam apenas reações exageradas do mercado e que a semana seguinte traria uma recuperação.
E foi exatamente isso que aconteceu. O resultado dessas operações foi um lucro bruto total de 3.168,35€. Mais abaixo deixamos alguns prints para ilustrar estas compras e vendas.

Algumas trades nas nossas contas da Trade Republic
Momento certo para vender
Mais tarde, a Apple voltou a atingir o máximo histórico e chegou mesmo a ultrapassá-lo. É verdade que poderíamos ter ganho muito mais se tivéssemos mantido todas as posições, mas a realidade é que nunca conseguimos prever até onde vai subir ou quando haverá uma queda inesperada.
Vendemos no ponto que tínhamos definido como saída, muito próximo do máximo histórico anterior. Não foi perfeito, mas foi uma decisão consciente.
Consideramos o trading “um pau de dois bicos”. Não é indicado para quem tem problemas cardíacos, porque num momento estás com um saldo positivo elevado e no instante seguinte podes estar em negativo. Depois surge sempre aquele pensamento: “Deveria ter vendido! Deveria ter comprado!” Mas, como ninguém tem uma bola de cristal, vender perto do topo acaba muitas vezes por depender da sorte.
O trading pintado de vermelho
Neste momento, temos duas trades abertas desde o final de outubro, na META (empresa-mãe do Facebook e Instagram) e na MSFT (Microsoft). Em conjunto, estas posições estão atualmente com cerca de 6.364,12€ em negativo. No pior momento chegaram a atingir aproximadamente 7.000€ de prejuízo, mas também já estiveram a 1.000€ de prejuízo em relação ao valor de compra.
A estratégia que seguimos foi comprar gradualmente à medida que o preço ia descendo, porque são empresas em que acreditamos e que acompanhamos de perto. Esta abordagem permitiu-nos melhorar o preço médio de entrada sem fazer movimentos demasiado agressivos.
Nesta fase, e estando próximos de avançar com as primeiras tranches para a construção da casa, optámos por não aumentar de forma significativa a exposição, mantendo sempre uma gestão prudente do capital disponível.
Não tencionamos vender estas posições em prejuízo. No curto prazo, caso estas ações fiquem bastante positivas, iremos vender e realizar o ganho. Até lá, estamos tranquilos em manter estas posições, mesmo com o valor negativo atual.
Quanto a nós, a Margarida acredita que deveríamos ter continuado o trading com a Apple. Já sabíamos que, sempre que surgia algum comentário ou ação do Trump, as ações desciam, mas passado uns dias voltavam a subir, pelo menos foi o que experienciámos enquanto negociámos Apple. No fundo, era a nossa “galinha dos ovos de ouro”.

Posições a 20 Janeiro 2026, prints capturados às 17:30, hora de Portugal Continental
A ferramenta que criámos
Para acompanhar todas estas operações, desenvolvemos uma aplicação com o apoio da Inteligência Artificial. Nela conseguimos organizar os números das nossas trades, incluindo:
- Lucro total do ano e variação mensal
- Total de operações e valor médio por operação
- Evolução diária, mensal e anual
- Comparação com benchmarks, como S&P 500, MSCI World e Bitcoin
- Desempenho por plataforma
- Top 3 melhores meses e melhores operações
- Histórico completo de trades
Foi um projeto que nos deu muito prazer desenvolver.
Iremos continuar a melhorar esta ferramenta e, já no próximo mês, todos os subscritores da nossa newsletter irão recebê-la de forma totalmente gratuita.
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No vídeo abaixo podem ver a aplicação em funcionamento. Para uma melhor visualização, recomendamos que vejam no computador e ativem o modo de ecrã inteiro.
Afinal, trading compensa?
A nossa opinião honesta é: muito dificilmente. Se tivéssemos simplesmente mantido os 50.000 € investidos na Apple desde o início, hoje provavelmente teríamos mais dinheiro. Ninguém consegue prever o futuro, e tudo o que fizemos envolveu risco.
Ainda assim, há algo importante: o lucro que já realizámos está do nosso lado, e isso ninguém nos tira.
Além disso, tirámos várias lições valiosas com o trading. Percebemos que, na área dos investimentos, tudo muda rapidamente e de forma drástica. O melhor para não andarmos ansiosos é investir a longo prazo, porque, de acordo com várias pesquisas, é o que tende a compensar mais e a causar menos dores de cabeça.
E tu?
Já fizeste algum trading? Correu bem ou foi uma aprendizagem difícil?
Conta-nos nos comentários, adorávamos conhecer a tua realidade
Obrigado por estares desse lado, faz toda a diferença ❤️
Disclaimer: O conteúdo deste blog reflete unicamente o nosso percurso e experiência pessoal na jornada FIRE. Não constitui aconselhamento financeiro ou legal.




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